A Farsa
"Se o Maranhão é tão pobre
e tantos pobres apóiam Roseana,
é porque estão satisfeitos."
José Sarney

"Roseana é satisfação garantida,
mesmo na miséria."
Mauro Chaves,
O Estado de São Paulo


"Já vi esse filme antes."
Julio Vidal
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 Garotinho encosta em Roseana em pesquisa do Ibope
O Estado de São Paulo - 27 de janeiro de 2002

São Paulo - O governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, pré-candidato do PSB à presidência da República, subiu três pontos na última pesquisa do Ibope e já disputa o segundo lugar na preferência do eleitorado com a governadora do Maranhão e pré-candidata do PFL, Roseana Sarney. Segundo a pesquisa, encomendada pela revista Veja, realizada entre os dias 17 e 21 de janeiro, Garotinho tinha 12% das intenções e tem agora 15%. Roseana subiu um ponto percentual e passou para 18%. O pré-candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, perdeu dois pontos percentuais e tem 28%.

Na pesquisa, o pré-candidato do PSDB, o ministro da Saúde, José Serra, continua com 7% das intenções, mesmo percentual do candidato do PPS, Ciro Gomes, que também ficou estagnado. O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), caiu de 7% para 5% na pesquisa do Ibope.

Na simulação do segundo turno, Lula perderia apenas para Roseana. O provável candidato do PT teria 39%, contra 46% da governadora do Maranhão. Se disputasse o segundo turno com Garotinho, Lula teria 40% contra 39% do governador carioca. No caso de enfrentar o ministro da Saúde, Lula venceria com 47%, contra 35% de Serra. Segundo a pesquisa, Lula também venceria Ciro Gomes no segundo turno: 46% a 35%. A revista não informa a margem de erro da enquete. </Julio> <!--06:32-->

 FHC elogia trégua proposta por Roseana
Folha de São Paulo - 26 de janeiro de 2002

O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ontem que considera "excelente" a proposta de um pacto de não-agressão feita pela governadora do Maranhão, Roseana Sarney, ao ministro da Saúde, José Serra. Roseana é pré-candidata à Presidência pelo PFL, e Serra, pelo PSDB - os principais partidos da base do governo.

O presidente estendeu a proposta para os partidos de oposição. "Não precisa ser só da base aliada. Mesmo os que são da oposição, ou do governo para com a oposição, para quê agredir?"

"Não é necessário agredir. O que precisa é agregar e não agredir", acrescentou, depois de participar de reunião da União Internacional para a Conservação.
FHC disse que falou com o ministro Serra e que ele concorda com a proposta. "É uma questão normal. O Lula, eu tenho sempre que posso um relacionamento público e também privado correto com o Lula e vice-versa."

A proposta será levada a Serra por Roseana na semana que vem, em conversa ainda a ser marcada.

O relacionamento entre PSDB e PFL passou por momentos de tensão nos dias que antecederam o lançamento de Serra. Aliados do ministro criticaram a governadora. O ambiente só desanuviou após visita de FHC a José Sarney, pai da pefelista. Serra também conteve seus aliados. </Julio> <!--06:19-->

 Roseana diz que não desiste e desafia Serra a "fazer 21"
Otávio Cabral e Wilson Silveira
Folha de São Paulo - 25 de janeiro de 2002

Um dia depois de telefonar para o ministro José Serra propondo um encontro e de jantar com o presidente Fernando Henrique Cardoso no Alvorada, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), afirmou ontem que sua candidatura ao Planalto "é irreversível" e que não acredita, "de jeito nenhum", que possa haver uma candidatura única dos partidos governistas à sucessão.

Roseana aproveitou para fazer um desafio ao pré-candidato tucano: "Já que dizem que minha propaganda parece comercial de cerveja, vou imitar a propaganda da Embratel: Serra, faça primeiro um 21 e depois a gente conversa". Referia-se aos 21% das intenções de voto que atingiu na última pesquisa do Datafolha. No mesmo levantamento, Serra teve 7%.

Roseana falou com a Folha por telefone de São Paulo, durante gravação do programa de TV do PFL (leia abaixo). Ela diz que não faz sentido abandonar sua candidatura para apoiar Serra. "Minha candidatura é irreversível. Nunca vi ninguém jogar 21% dos votos e uma possibilidade de vitória pela janela", afirmou.

Ela também não acredita que venha a receber o apoio do PSDB, pois os tucanos não aceitam usar as pesquisas como critério de definição de uma candidatura única.
Roseana explicou que telefonou para Serra e jantou com FHC apenas para propor aos tucanos um pacto de não-agressão no primeiro turno. O gesto da governadora, no entanto, foi entendido pelo PSDB como uma sinalização para uma eventual candidatura única do campo governista. A intenção imediata da cúpula do PFL com o aceno aos tucanos é barrar a aproximação de Serra com o PMDB.

O armistício, segundo Roseana, propiciaria uma aliança no segundo turno, quando a governadora acredita que um dos governistas enfrentará Lula (PT). "No cenário atual, é improvável que dois governistas cheguem ao segundo turno. Por isso, precisamos conduzir bem o processo no primeiro turno, sem agressões, para que os atuais aliados possam somar no segundo turno", disse.

Flertes e namoros
Roseana duvida que o PMDB vá tomar uma decisão agora a favor de Serra. Ela tem conversado com a partido e aposta que só haverá definição em maio, em função das pesquisas. "A partir de junho nós teremos candidaturas definidas. Até lá nós vamos ter de conviver com esses flertes, namoros e noivados", disse a governadora.
Mesmo após a definição, ela aposta que a sigla acabará rachando: "Se o PMDB apoiar o Serra, tenho certeza de que o senador José Sarney e o Maranhão não irão seguir essa posição", disse.

Interlocutores da governadora, porém, confirmam que ela "sentiu o golpe" da aproximação entre Serra e o PMDB e por isso tomou a iniciativa de ir aos tucanos.
A governadora aposta que outros partidos também sairão rachados da disputa devido a conveniências regionais. No PFL, a única dissidência até agora é a do governador Siqueira Campos (TO), que manifestou preferência pela candidatura Serra.
No jantar com FHC, Roseana defendeu que o PFL continue apoiando o governo. Para isso, é preciso um "pacto de boa convivência" entre os aliados. Segundo ela, o presidente concordou com sua avaliação.

A pefelista disse que não reclamou especificamente dos ataques que sofreu de aliados de Serra, como o prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (Vitória) e o deputado Jutahy Jr: "Não entrei no mérito dessa questão, mas para bom entendedor meia palavra basta".

O Planalto avalia que a atitude de Roseana foi uma manobra hábil e profissional da cúpula do PFL. Deixou claro que é candidata e invocou a governabilidade para fixar os limites da campanha.

Colaborou Renata Giraldi, da Sucursal de Brasília </Julio> <!--06:19-->

 Capas da Veja
Gevilacio A. C. de Moura
O texto abaixo foi postado originalmente na lista "Widebizz" em 24 de janeiro de 2002.

"Pessoal:

acho que vale a pena comparar duas capas da revista Veja: 28 de março de 1988 ("O caçador") e 14 de novembro de 2001 ("O fenômeno"). Treze anos entre elas, mas nada mudou.

Algumas coincidências se repetem e não são apenas as capas da Veja que devem ser confrontadas.

Dois dos estados mais pobres da federação: Alagoas e Maranhão. Neles, os índices de pobreza, analfabetismo, mortalidade infantil, de miséria são africanos. No entanto, a família do caçador e a família do fenômeno estão cada vez mais ricas.

Nesses dois estados, Alagoas e Maranhão, os meios de comunicação são de propriedade de famílias ligadas ao coronelismo e ao que existe de mais atrasado em termos de política. Ambos contavam e contam com o apoio do chamado poder da Arena/Mdb/PPB/PFL e outras siglas igualmente conceituadas.

A mídia vendia há treze anos um desses estados como exemplo de modernidade, de desenvolvimento, de honestidade e de caça a privilégios de marajás. O estado era e continua sendo um dos mais pobres da federação.

Uma família há mais de 35 anos está no poder e se transforma na maior fortuna do estado. Não houve herança, não houve uma sucessão de ganhos nas loterias da Caixa como no caso de um dos anões do orçamento.

Duas famiglias, há vários anos no poder, são donas e manipulam os meios de comunicação e são por esses mesmos meios de comunicação aduladas, acariciadas e louvadas.

Há, também, contradições. O membro de uma dessas famílias foi defenestrado acusado de corrupção, mas essa anunciada corrupção jamais se provou nem comprovou.

Não existe decisão da justiça sobre os processos acerca dos supostos atos de corrupção de que tanto se falava. A não ser uns míseros 15 ou 20 mil dólares de uma triste figura do trabalho e um carro Elba. O resto era tudo mentira. Ou era verdade mas ninguém provou?

Nesse bafafá todo ninguém foi preso, a não ser um senhor de ar pacato, baixinho e de bigode que jamais ocupara qualquer cargo na administração pública. Esse senhor teve um fim triste: morreu em circunstâncias não totalmente esclarecidas. Assim como a sua esposa. E a sua namorada. E um irmão do defenestrado. Nenhuma dessas ocorrências, nenhuma dessas mortes foi devidamente apurada e elucidada. Rumores, palpites, reviravoltas e ninguém se lembra mais de nada. Mas isso é outra história.

O outro chefe de família foi premiado com mais um ano de mandato graças a suas hábeis negociações envolvendo a concessão de canais de rádio e de TV. No entanto, apesar de todo o "pudê", de todo o aparato de comunicação a seu favor em seu estado natal ele foi ser candidato a senador por outra unidade da federação que nem mesmo é vizinha do seu estado, pois tem o Pará entre eles impedindo a visão. O estado do Maranhão era e continua sendo um dos mais pobres da federação.

As misérias de dois dos estados mais pobres da federação são maquiadas e recebem um verniz que dá brilho ao folclore, aos lençóis e à caçada aos marajás.

A mídia, assim como toda a água, corre para o mar. A propaganda diz que a democracia, a paz, a brancura e a pureza do país serão manchadas se não usar aquele produto que deixa os dentes mais brancos, o sorriso mais lindo, os cabelos negros e lisos e com muito mais balanço.

Os nomes podem mudar. O sexo também. E, assim como a minha voz continua a mesma, a essência também permanece.

[ ]'s

Gevilacio A. C. de Moura </Julio> <!--05:59-->

 Avião de Roseana é locado pelo MA
Folha de São Paulo - 27 de janeiro de 2002

A governadora Roseana Sarney (PFL-MA) utiliza um avião contratado pelo governo do Maranhão para cumprir sua agenda de compromissos políticos fora do Estado. Ela também antecipa a campanha eleitoral em aparições no horário do PFL na televisão.
Nas últimas duas semanas, Roseana fez duas viagens entre São Luís e São Paulo, sempre utilizando uma aeronave cujo banheiro foi adaptado a ela por exigência do governo do Maranhão. O avião pertence à empresa que ganhou a licitação para aluguel de aviões ao Estado. De acordo com o PFL, é pago pelo partido.

O secretário-executivo do PFL, Saulo Queiroz, disse, na sexta, que ainda não tem o recibo de pagamento da viagem realizada na semana retrasada porque o partido tem prazo de 15 dias para quitar o uso do avião. Ele diz que o partido paga todas as despesas de Roseana relacionadas às eleições.

Especialistas em direito eleitoral ouvidos pela Folha dizem que não é permitida a campanha de pré-candidatos no programa institucional dos partidos, que serve para divulgar o programa partidário, as atividades legislativas do partido ou para debater temas político-comunitários. Roseana tem sido promovida como "a governadora número um" no programa do PFL, o que só poderia ser feito após o início da propaganda de candidatos, em 20 de agosto. </Julio> <!--05:51-->

 Projeto captou recursos com 14 empresas
Frederico Vasconcelos
Folha de São Paulo - 23 de janeiro de 2002

Antes de buscar contribuições de empresas para filmar "O Dono do Mar", o produtor Fábio Gomes pediu a José Sarney uma carta de apresentação para "abrir portas".

"A carta tinha tantos condicionantes, tantos "se" e "por acaso", que eu desisti. Ela deixaria o empresário mais à vontade para dizer não ao filme", disse Gomes.

Ele ofereceu o projeto a 92 empresas. Conseguiu captar recursos de 14. Uma estatal e um grupo privado alegaram que não poderiam se envolver com nenhum político.

O filme teve orçamento aprovado de R$ 5,8 milhões e obteve recursos pelas leis Rouanet e do Audiovisual.

Quem primeiro apoiou o projeto foi o empresário e autor teatral Antônio Ermírio de Moraes. A Votorantim investiu R$ 100 mil, em maio de 99, seguida pelo grupo Jereissati (R$ 550 mil) e Meio Norte (R$ 26,2 mil).

As estatais garantiram o grosso dos investimentos: Eletrobrás (R$ 600 mil), Furnas (R$ 400 mil), BNDES (R$ 400 mil), Petrobras (R$ 300 mil) e Banco do Nordeste (R$ 250 mil).

Com o início das filmagens, em julho de 2001, outros grupos privados se associaram: BrasilTelecom (R$ 300 mil), grupo Claudino (R$ 200 mil), Gerdau (R$ 100 mil), Embraer (R$ 600 mil), Vale do Rio Doce (R$ 300 mil) e Alcoa (R$ 600 mil).

O governo do Maranhão emprestou o helicóptero da polícia para gravações durante quatro dias (facilidade que, segundo Gomes, tem sido oferecida para outros filmes feitos no Estado).

Também correram por conta do governo estadual as despesas de viagem e hospedagem de jornalistas convidados pela produção do filme e que visitaram pontos turísticos do Estado. A Vasp ofereceu passagens ao elenco e à equipe de filmagem. </Julio> <!--05:42-->

 Odisséia do mar maranhense chega às telas
Frederico Vasconcelos
Folha de São Paulo - 23 de janeiro de 2002

Neste ano de eleições, a aceitação popular da obra dos Sarney poderá ser medida nas urnas e nas bilheterias de cinema.

Enquanto a governadora do Maranhão, Roseana Sarney, gravava a campanha eleitoral do PFL, seu pai, o senador José Sarney, conferia o copião do filme "O Dono do Mar", baseado no romance de sua autoria publicado em 1995. Sarney assistiu no início do mês, em São Paulo, à primeira montagem bruta, quase três horas de filmagem, e gostou da transcrição cinematográfica da saga do pescador Antão Cristório, personagem central do livro que o antropólogo Claude Lévi-Strauss considerou uma "obra monumental" e o escritor Jorge Amado definiu como "romance belo e vigoroso". Até o final deste mês, o filme dirigido por Odorico Mendes deverá receber efeitos eletrônicos em laboratório, como a aparição de navios fantasmas, e a trilha sonora encomendada ao maestro santista Gilberto Mendes, uma opção pela composição clássica com percussão popular maranhense. A produção espera fazer a primeira projeção pública do filme no final de abril, no festival de cinema de Recife. Sarney propôs exibições prévias para colher sugestões de eventuais mudanças antes da exibição nos cinemas.

Dependendo do resultado final, os produtores pretendem colocar "O Dono do Mar" no circuito de festivais (Cannes, Gramado, Toronto e Berlim) para tentar valorizar o filme com premiação, antes de programar a distribuição. Ainda no campo das apostas, eles imaginam que o filme romperá algumas barreiras da literatura. "Quem não leu o livro está submetido a um preconceito: só acredita que a obra é boa depois que lê", diz Fábio Gomes, 44, produtor e roteirista, ao explicar como a imagem do político Sarney ofusca o sucesso do Sarney ficcionista de "Norte das Águas", traduzido em mais de dez idiomas. "Agora, com o filme feito, a gente sabe o que tem na mão." Publicitário maranhense, sem experiência em cinema, produtor de comerciais de televisão, Fábio Gomes leu "O Dono do Mar" quando morava em São Paulo e imaginou colocar na tela aquela odisséia do mar do Maranhão. O publicitário é amigo da família Sarney e trabalhou na campanha do ex-governador Edison Lobão. "Mas Sarney ficou muito reticente", diz. Só depois de cinco meses, ao ler e aprovar o roteiro, Sarney decidiu vender os direitos autorais, por R$ 30 mil, em 1997. O filme foi rodado, entre julho e setembro do ano passado, em belas locações no litoral do Maranhão, como os Lençóis Maranhenses, dunas de areias brancas entremeadas com lagoas formadas pelas chuvas, e as vilas de pescadores de Mojó e Jararaí.

As filmagens no mar foram difíceis, com os fortes ventos e as águas subindo repentinamente. Foi montado um tanque de efeitos especiais, com 1.200 m2 de superfície e 80 cm de profundidade, para reproduzir cenas com ondas do mar, chuvas e tormentas. Sarney achava que o livro não seria adaptável ao cinema. Ele acompanhou algumas filmagens no set, fez sugestões e elogiou a interpretação dos atores. O pescador Antão Cristório, vivido pelo ator Jackson Costa, é o capitão e senhor das artes da pesca que gastou mais de três anos em busca de sua noiva, Maria Quertide (Samara Felippo), raptada por um ente fantástico que a leva para o fundo do mar. Para Sarney, "Quertide representa o amor inalcançável". Ele aprovou os "fantasmas" Querente (Alexandre Paternost) e Aquimundo (Odilon Wagner). O primeiro é a reencarnação do soldado português Diogo de Seixas, que naufraga em 1589 nas costas do Maranhão. "Quando estava escrevendo a história, senti que ele estava pedindo para não morrer. Para "ressuscitá-lo", a solução foi transformá-lo em pescador", diz o autor. O mago Aquimundo é o senhor do tempo, que faz o relato das histórias antigas. "Mas o grande personagem do livro ainda é o mar, com seus desejos e mistérios", diz Sarney. </Julio> <!--05:40-->

 Federação denuncia Governo de Roseana
Claudio Eli
Tribuna da Imprensa - 19 de janeiro de 2002

O presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Maranhão (Fetaema), Domingos Albuquerque Paz, critica a governadora Roseana Sarney, pré-candidata à Presidência da República, garantindo que "a propaganda do PFL não enganará o Brasil e nem o Maranhão".

Em sua opinião, "o modelo de desenvolvimento adotado pelo governo estadual demonstra que o crescimento econômico, pautado na renda per capita, é a sua principal base de sustentação, em detrimento às questões sociais. Essa visão privilegia o ganho de capital para aqueles que detém o poder econômico, aumentando a concentração de riquezas e, conseqüentemente, prejudicando a classe trabalhadora".

Exemplo
O presidente da Fetaema cita os grandes plantadores de soja no Sul do estado como um exemplo dessa política. Diz que, como a rentabilidade do produto está declinando, por ser explorada sob o sistema de monocultura, os grupos econômicos estão iniciando um processo de substituição da soja pela cultura do eucalipto. Enquanto isso, na Região Tocantina, os grandes criadores estão substituindo o gado pela soja para, posteriormente, implantar o plantio de eucalipto.

Aí surge a crítica maior do líder dos trabalhadores rurais: "Essa política adotada pela Gerência de Planejamento e Desenvolvimento Econômico, criada no governo de Roseana, valoriza os produtos de exportação, principalmente soja, celulose e ferro gusa, enquanto o dever de casa, ou seja, os produtos de subsistência e da agricultura familiar são deixados de lado".

Maioria da população está na miséria
Diante desse quadro, o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado do Maranhão afirma que "não há dúvida que 62,3% da população maranhense estão abaixo da linha de pobreza, vivendo com menos de R$ 80, como resultado dessa política excludente. Tanto isso é verdade que na Gerência de Planejamento ninguém vê problema algum em uma pessoa morar em casa de taipa, exposta aos riscos de saúde, desabamentos e outros tantos".

Domingos Albuquerque Paz garante que estes números são conseqüência da política adotada pela governadora Roseana Sarney. "O crédito rural é insuficiente e burocrático. O uso de tecnologias atinge apenas 17% dos estabelecimentos agropecuários. A assistência técnica oficial praticamente inexiste. Juntando tudo isso à ausência de infra-estrutura social e produtiva nas comunidades rurais, temos um Maranhão considerado o Estado mais pobre da Nação", constata.

Propaganda
O líder sindicalista garante que "a intensa e mentirosa propaganda do governo Roseana Sarney pode enganar uns poucos por algum tempo, mas não enganará a muitos por muito tempo. E o Maranhão, então, se libertará deste modelo excludente. É esta a luta dos trabalhadores e trabalhadoras rurais maranhenses", assinala.

Segundo o presidente da Fetaema, "não é possível compreender como um estado, que tem vocação agrícola e agrária, como o Maranhão, adote um total descaso com o setor primário. Isso representa, entre outras implicações, menos ocupação da força de trabalho, como ocorre no município de Presidente Dutra; lá, dos 39.355 habitantes apenas 6.573 pessoas exercem atividades agropecuárias".

"Somos líderes na queda de produção. Nos últimos anos, o cultivo de milho caiu 15%, o da mandioca 25%, o do arroz 30% e o do feijão 40%. Estes fatos comprovam a ausência de política governamental para a agricultura familiar, onde o Orçamento do estado destina apenas R$ 4,00 para cada agricultor", ataca.

O presidente da Fetaema recorda que a governadora não atendeu nenhuma das reivindicações dos trabalhadores rurais durante a manifestação Grito da Terra, feitas por ocasião do última audiência concedida pela governadora, em junho do ano passado.

"Em um documento com cerca de 30 páginas remetido à Fetaema, o governo enrola, enrola, enrola. Nada de bolsa-escola de um salário-mínimo para os filhos dos assentados nas áreas do Instituto de Terras do Estado (Iterma - responsável pela reforma agrária no Maranhão), nada de Conselho de Gestão para o Programa Comunidade Viva, nada de aumento de recursos para a agricultura, nada de Fundo de Aval Estadual.

Todas as propostas foram transferidas para serem debatidas no Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável (Cedrs), sem que ele tenha competência para encaminhá-las", conclui. (CE). </Julio> <!--17:05-->

 Como escolher quem governará o Brasil?
Mauro Chaves é jornalista, advogado, escritor e produtor cultural
O Estado de São Paulo - Primeiro de dezembro de 2001

A tarefa não é difícil, desde que se recorra a critérios objetivos, inspirados no simples bom senso. É a partir da presença de determinadas características e da ausência de outras que se montará a melhor imagem presidenciável - e se descobrirá quem poderá prenchê-la. Preliminarmente, como entre as figuras públicas que já demonstraram a intenção de concorrer à próxima eleição presidencial não há (ao que tudo indica) notórios desonestos, do tipo "rouba, mas faz" ou "quebrei o banco, mas fiz meu sucessor", partiremos da presunção de que os partidos políticos saberão atender às exigências mínimas do eleitorado - e de toda a sociedade - quanto à triagem ética das candidaturas. Isto posto, ensaiemos aqui a adoção exemplificativa - não taxativa, é claro - de alguns critérios de "presidenciabilidade".

Quem pretende candidatar-se à Presidência da República deve estar trabalhando, concretamente (isto é, não só politicando), inclusive para dar um bom exemplo, neste país onde tantos substituem o esforço do trabalho pelos golpes de esperteza ou pela politicagem profissional - sustentada por sinecuras ou patrocínios nem sempre bem explicados. Melhor será se esse trabalho for em benefício de toda a população brasileira.

É fundamental que essa pessoa tenha acumulado experiências administrativas e legislativas (como escalão executivo e parlamentar). Pois, de um lado, é preciso conhecer de perto a máquina pública, suas potencialidades e limitações, para colocá-la a serviço da sociedade. E, de outro, é indispensável a capacidade de negociação, de quem chefia o Estado e o governo, com o Congresso Nacional - pois nossa História demonstra que a cadeira presidencial só se manteve firme quando soube articular-se com as cadeiras legislativas.

Não há elitismo algum (apesar das bobagens clicherescas que se têm dito a respeito) em se exigir um ótimo grau de escolaridade e de conhecimento (econômico, sociológico, histórico, internacional e até vernacular) de quem pretende conduzir a já complexa sociedade brasileira. Neste campo, também é precioso o exemplo do esforço dedicado ao aprendizado. Já tivemos grandes figuras públicas que, oriundas das famílias mais humildes, graças ao obstinado empenho na própria educação, atingiram culminâncias na qualificação profissional, científica e até política. Dizer que "entende mais o povo" quem é mais ignorante - e por isso está mais próximo dele - é que significa um perverso elitismo, que aposta na perpetuidade da ignorância popular. E, além disso, só se conseguem reconhecer, efetivamente, certos valores (como educação, cultura, ciência, arte) - jamais dispensáveis para quem quer governar o Brasil - quando com eles se tem tido um razoável grau de convivência. Agora, nestes tempos em que o Brasil luta mais do que nunca para assumir um papel relevante entre as nações do mundo e em que a troca de informações diretas entre chefes de Estado e de governo se torna cada vez mais urgente, não tem cabimento dar a direção do País a uma pessoa monoglota - e de horizontes culturais, necessariamente, limitados.

Por falar em origem, a origem política também é dado importantíssimo nesse processo de escolha. Quem iniciou sua carreira dentro de um partido montado para dar pleno apoio à ditadura militar não deve ter credibilidade para fazer pregação de fé democrática. Já quem, além de ter combatido a ditadura, começou sua vida pública com luz própria, "sem dinheiro no banco, sem parentes importantes" - como dizia o compositor cearense -, quer dizer, não se aproveitando da iluminação lhe ofertada por oligarquias financeiras e/ou políticas e/ou familiares, com certeza terá um processo de identificação muito mais forte com a alma popular brasileira, que brota sem ser protegida e cresce fora das sombras.

Seria ótimo se a pessoa que vai governar o Brasil jamais tivesse tido vínculos - familiares e/ou negociais - com grupos empresariais de quaisquer setores, especialmente com veículos regionais de comunicação eletrônica de massas - pois a experiência brasileira, sob este aspecto, tem sido desastrosa. Também ótimo seria se a candidatura presidencial escolhida nunca se tivesse aproveitado da fé religiosa para o faturamento eleitoral - pois esta é uma das formas mais rasteiras de engodo popular.

Tal como o que é baseado em crença religiosa, o critério de escolha que leva em conta o sexo ou a cor é tão enganoso quanto prejudicial ao gênero ou à raça que se pretende prestigiar, pois a estes se atribuirão - por uma questão de coerência, igualmente preconceituosa - os eventuais futuros fracassos da pessoa escolhida. Para ilustrar isso, tomemos os seguintes exemplos: há alguns anos houve em Fortaleza uma prefeita desastrada, que deixou a cidade caótica - nas praias vendiam-se até porcos vivos. Ela tinha em sua secretaria o ex-marido, o marido de então e o que era tido como o futuro (daí o apelido de "dona Flor e seus três maridos"). Em São Paulo já houve um prefeito negro, também responsável por uma das administrações municipais mais desastradas que aqui se conheceram. Muito bem. É claro que o sexo de uma e a cor do outro não tiveram absolutamente nada que ver com os seus respectivos fracassos administrativos. Mas imagine-se agora (e este não foi o caso) se as campanhas eleitorais desses alcaides se tivessem baseado nas vantagens da feminilidade de uma e da negritude do outro. Isso não seria prejudicial aos que, com as mesmas características, depois deles pretendessem o mesmo cargo? Quer dizer, ao tentar "faturar" o combate ao preconceito presente, pode-se estar estimulando, e muito, o preconceito futuro...

Quem quer assumir o poder maior da Nação deveria dar demonstrações de que, na defesa do interesse público, já soube enfrentar grupos poderosos, já desafiou lobbies nacionais e internacionais, já contrariou interesses corporativistas e não hesitou em pôr o poder público a serviço das pessoas comuns, não protegidas pelas corporações.

É claro que a pessoa que pretende governar o Brasil não precisa ser bonita nem muito simpática - afinal de contas, não se trata de um concurso de beleza nem de simpatia, mas sim de competência. Agora, é fundamental que essa pessoa tenha postura e comportamento elegante, comedido, e que transmita - ao País e ao mundo - uma imagem não incompatível com a de estadista.

Quem preencheria melhor tais requisitos? </Julio> <!--06:19-->

 Os Sarneys e o charme da miséria - 2
Mauro Chaves é jornalista, advogado, escritor e produtor cultural
O Estado de São Paulo - 12 de janeiro de 2002

Muitos podem estar se perguntando, com certa perplexidade: se, de todos os Estados brasileiros, o Maranhão é o que apresenta a situação social mais calamitosa, mantendo (desde 1985) o pior PIB per capita do Pais; se o Maranhão tem hoje a maior parcela da população (62,37%) vivendo abaixo da linha de miséria (menos de R$ 80 por pessoa, por mês), de acordo com o Mapa da Fome da Fundação Getúlio Vargas (FGV); se, nas duas gestões da governadora Roseana Sarney, a pobreza só cresceu no Maranhão, pois, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de famílias que lá vivem com até meio salário mínimo aumentou 37% - enquanto no resto do País diminuiu 22%; se, nas duas gestões da governadora Roseana Sarney, cresceram tanto a mortalidade infantil quanto a evasão escolar - segundo dados da mesma respeitada instituição, contidos no Censo 2000; se, segundo a última medição do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU, o Maranhão está no mesmo patamar de miséria de nações africanas como Gana e Congo - e basta lembrar que 39,8% das casas maranhenses não têm sequer banheiro ou sanitário; como se explica, então, o fato de a governadora Roseana Sarney alcançar um bom índice de aprovação em seu Estado?

E como se explica o fato de, nos últimos 36 anos - isto é, desde 1965, quando José Sarney se elegeu governador do Maranhão -, o eleitorado maranhense ter escolhido, para o governo do Estado, uma seqüência ininterrupta de correligionários e amigos diletos de José Sarney (João Castelo Ribeiro Gonçalves, Oswaldo Nunes Freyre, Luiz Rocha, Epitácio Cafeteira, João Alberto, Édison Lobão e a filha Roseana Sarney), se nesse tempo todo o Maranhão, que no passado fora um marco cultural e histórico do País, entrou em franca decadência econômica, social e cultural?

Decifremos o enigma. Antes de mais nada, a família Sarney exerce domínio absoluto sobre todo o sistema de comunicação do Maranhão. É dona do principal jornal - O Estado do Maranhão - e do principal sistema de rádio e televisão - o Sistema Mirante e o Mirante Sat, que recebem o sinal da Rede Globo. Os outros dois sistemas de TV mais importantes do Estado pertencem a correligionários e/ou diletíssimos aliados da família, como é o caso do dono da Difusora (que recebe o sinal do SBT), senador Édison Lobão, e do dono da TV Praia Grande (que recebe o sinal da Bandeirantes), deputado estadual Manuel Ribeiro, há oito anos presidente da Assembléia Legislativa do Maranhão (onde a governadora tem 36 dos 42 membros).
Interagindo com o governo, num processo de publicidade institucional massificada, intensa e constante, os sistemas de comunicação social maranhense exercem, com perfeição, um duplo papel. Primeiro é o de manter um clima permanentemente festivo, com a divulgação diuturna das promoções governamentais, dentro da estratégia de programação político-espetacular denominada "Viva". Trata-se do seguinte: o governo maranhense organiza, permanentemente, festejos públicos em diferentes locais, com ampla concentração popular, tendo como pólo de atração artistas famosos, danças, farta venda de bebidas, etc. Batiza-se a grande festa de acordo com o nome do bairro ou da região escolhida: por exemplo, "Viva Renascença!", ou "Viva Maiobão!", ou "Viva Liberdade", ou "Viva Bairro de Fátima", ou "Viva Madre Deus", ou "Viva Anjo da Guarda". Certamente é uma iniciativa inspirada na velha prática dos imperadores romanos, denominada panem et circenses (embora sem panem, pelo que talvez mais apropriado fosse denominar cachaçorum et circenses).

O segundo papel fundamental do integradíssimo sistema de comunicação controlado pela família Sarney consiste em abafar tanto fracassos administrativos quanto irregularidades apontadas ou investigadas - seja pelos Tribunais de Contas, pela Polícia Federal ou pelo Ministério Público -, que acabam deixando de se tornar, pela absoluta desinformação popular, objeto de pressão por parte da opinião pública maranhense.

Dentre os inúmeros exemplos de atuação dessa mordaça comunicológica, poderiamos mencionar o caso do Pólo de Confecções de Rosário, um ambicioso projeto de U$ 20 milhões - a cerca de 100 km de São Luís -, inaugurado pomposamente (com a presença de FHC), para gerar 4 mil empregos. Na verdade, tratava-se do conto-do-vigário de um chinês de Taiwan interessado em vender máquinas de costura - e que acabou preso em Manaus, por estelionato. E o que era para ser uma moderna cooperativa, alardeada pela governadora, se tornou uma minguada produção artesanal, que só emprega cerca de 400 pessoas, ganhando em torno de R$ 100 por mês (por falta de coisa melhor). Ou o caso da Usimar, projeto orçado em R$ 1,3 bilhão, que teve aprovação recorde (com o empenho total da governadora e de seu marido) na Sudam, levantou com rapidez inédita R$ 44 milhões e evaporou (pelo que o Ministério Público entrou com ação civil contra Roseana e Jorge Murad). Ou o caso Salangô, projeto de irrigação destinado à produção de arroz e cítricos, que recebeu cerca de R$ 60 milhões há anos, não produz nada e está eivado de graves irregularidades (inclusive superfaturamento), segundo o TCU. Ou o caso do projeto de despoluição da Lagoa de Jansen (centro de São Luís), que também gastou R$ 60 milhões (federais) para não despoluir nada, além das graves irregularidades (inclusive superfaturamento) apontadas pelo TCU. Ou o caso da "estrada fantasma" Paulo Ramos-Arame, onde foram gastos U$ 33 milhões em obras inexistentes. Ou o caso da duplicação do Projeto Italuis - R$300 milhões -, obra de saneamento também com graves irregularidades (inclusive superfaturamento) apontadas pelo TCU.

Nada disso é trazido à discussão pública pelos veículos de comunicação maranhenses. E, convenhamos, uma população em que 39,8% de seus integrantes não podem nem dispor de chuveiros e privadas na própria residência, e para a qual não foram construídas novas salas de aula nos últimos sete anos, que tipo de espiríto crítico poderá ter desenvolvido - nas últimas três décadas e nos últimos sete anos - dentro da anestesiante festividade com que tem sido embromada a sua sensação de real (mesmo que charmosa) miséria? </Julio> <!--06:11-->

 "Timon" e os miseráveis satisfeitos do Maranhão
Mauro Chaves é jornalista, advogado, escritor e produtor cultural
O Estado de São Paulo - 18 de janeiro de 2002

Em artigo publicado nesta página, para contestar dados que tínhamos aqui apresentado sobre a realidade maranhense, o senador José Sarney, mesmo reconhecendo, em todo o teor de seu texto, o múltiplo domínio que há 36 anos exerce sobre seu Estado, recusa-se a "vestir a roupa de oligarca" por ter um "temperamento cordial e humano". Ocorre que o conceito de oligarquia, que resulta da junção das palavras gregas oligos (pouco) e arkhe (governo), significa "governo de poucos", independentemente do temperamento de seus chefes. Sempre houve oligarcas cordiais. O senador apenas foi modesto ao dizer-se "ancestral de si mesmo", quando, na verdade, é ancestral de muita gente, até como pioneiro do coronelismo eletrônico nacional.

E, a propósito de comunicação, o senador, estranhamente, negou a existência histórica do Jornal de Timon, que disse tratar-se de um livro em quatro volumes. O Timon foi um jornal, sim, lançado pelo insigne jornalista e historiador maranhense João Francisco Lisboa, cujo primeiro número saiu no dia 25 de junho de 1852 e durou até março de 1858. Provavelmente o senador compulsou uma compilação do periódico e julgou tratar-se de um livro. Só cometi o lapso de trocar o nome João Fancisco por Luís Francisco. Erros de nomes acontecem - e às vezes até viram sobrenome. Mas atribuo a troca a uma associação com São Luís - e não entendo por que o senador logo a associou ao procurador Luís Francisco, do caso Lalau (assim como me chamou de "promotor", e não "produtor" cultural). De qualquer forma, eis uma das diretrizes do Jornal de Timon, já expressa em seu primeiro número: "As cenas eleitorais, descritas sob todas as suas relações e pontos de vista imagináveis, encherão uma grande parte das páginas do jornal." Eis um belo exemplo do democrático pluralismo político nas comunicações, coisa que o Maranhão parece ter perdido. Quem sabe, por isso, o senador tenha resolvido apagar da história maranhense o bravo Timon.

Mas o senador apagou muito mais. Ele disse no artigo que, ao assumir o governo do Maranhão, em 1965, o Estado vivia no século 19, "não tinha um quilômetro de estrada asfaltada" e lá só existiam "um ginásio oficial, o Liceu" - onde estudou -, "e duas faculdades, a de Direito e a de Farmácia".

Disse ainda que "as cadeias públicas eram os troncos dos tempos da escravatura". E afirmou que "a energia consumida na capital era produzida por quatro motores movidos a lenha". Quer dizer, na ânsia de provar-se o demiurgo maranhense, que criou tudo a partir do caos, o senador parece ter-se esquecido da tradição cultural da "Atenas Brasileira", reduzindo-a a uma aldeia selvagem antes de sua gestão.

Sarney procurou apagar a obra de seus antecessores imediatos, Newton Bello e Matos Carvalho. Mas a verdade, bem diferente da que descreveu, pode ser testemunhada por respeitáveis cidadãos maranhenses que acompanharam os acontecimentos políticos nas décadas de 1950 e 1960: antes de Sarney chegar ao governo do Maranhão, em São Luís já havia não duas, mas sete faculdades:

a de Direito, a de Farmácia, a de Odontologia, a de Serviço Social, a de Enfermagem, a de Medicina e a de Filosofia e Letras. As três primeiras eram federais e as outras quatro pertenciam à Universidade Católica, obra do arcebispo de São Luís dom José Delgado. Em lugar de menos de "um quilômetro de asfalto", já havia no Maranhão, por exemplo, o acesso a São Luís da BR-135 e a Estrada de Ribamar, afora a malha viária construída pelo governo Newton Bello, com dezenas de pontes nos trechos das estradas Vargem Grande-Chapadinha-Brejo, nas proximidades de São Bernardo, Miranda-Arari, Pedreiras-Igarapé Grande-Lago da Pedra, Vitorino Freire-BR-116, Dom Pedro-Presidente Dutra-São Domingos, nas proximidades de Colinas, trechos e obras de drenagem na Presidente Dutra-Barra do Corda-Porto Franco, pontes sobre o Rio Itapecuru em Coroatá e Codó, etc. Em vez do "tronco" da escravatura, já havia no Maranhão a Penitenciária de Pedrinhas. Em lugar dos "quatro motores a lenha", já havia sido construída a Hidrelétrica de Itapecuruzinho e se construía a Hidrelétrica de Boa Esperança, que já viera desde os anos 50 e fora implementada pelo governo João Goulart, antes de ser concluída pelo regime militar, aumentando a eletrificação do Maranhão.

A certa altura do artigo, o senador Sarney disse que Júlio de Mesquita Filho, ao testemunhar o esforço da equipe do então governador maranhense, afirmara: "Passo a reacreditar no Brasil, depois que visitei o Maranhão." Só reacredita quem já deixou de aceditar. E não nos consta que Julio de Mesquita Filho, em algum momento de sua vida, tenha deixado de acreditar no Brasil. Menos plausível ainda seria ele precisar do Maranhão - e da equipe de Sarney - para recuperar sua crença.

Na verdade, o que mais surpreendeu, no artigo do senador, foi um insuspeitado senso de desmedida. Para ele, tudo no Maranhão - desde que depois de sua gestão, nunca antes -, se não é "o melhor do Brasil", é "o maior do mundo". Com todo o respeito à sensibilidade do poeta Ferreira Gullar, ao esforço dos 120 livros do escritor Josué Montello, à bela voz grave da cantora Alcione e à criatividade do carnavalesco Joãosinho Trinta, considerá-los com mais peso cultural do que Gonçalves Dias, Coelho Neto, Aloísio de Azevedo e Humberto de Campos - já que, como disse o senador, "em nenhum tempo o Maranhão teve tanto destaque cultural no País como no século 20" -, mais que desmedida, nos parece um franco delírio.

Apesar de ter tentado, o senador não conseguiu contestar os números acachapantes da miséria maranhense, comprovados de forma taxativa pelo Censo 2000 do IBGE, pelo Mapa da Fome da FGV e pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU. Não pôde desmentir - nem poderia - o fato de o Maranhão ter hoje a maior parcela da população (62,37%) vivendo abaixo da linha linha de miséria (menos de R$ 80 por pessoa, por mês), de ter desde 1985 o pior PIB per capita do País, de o número de famílias que lá vivem com até meio salário mínimo ter aumentado (desde 1992) 37%, enquanto no resto do País diminuiu 22%, de o número de casas maranhense que não têm sequer banheiro ou sanitário chegar à absurda porcentagem de 39, 8% e tragédias sociais do gênero. Mas, para justificar a pobreza maranhense, o senador chegou a afirmar que "São Paulo, o Estado mais rico do Brasil, é o que tem mais pobres no País". Quer dizer, pela noção de estatística que tem quem já foi presidente do Brasil, pode-se comparar a quantidade de pobres de um Estado de 36,9 milhões de habitantes com um de 5,3 milhões.

Nada disso, no entanto, se compara à frase definitiva do senador: "Se o Maranhão é tão pobre e tantos pobres apóiam Roseana, é porque estão satisfeitos." Depois disso, só resta aos marqueteiros da candidata cunhar o lema: "Roseana é satisfação garantida, mesmo na miséria." </Julio> <!--06:11-->

 "Timon" e os números do Maranhão
José Sarney é senador (PMDB-AP)
O Estado de São Paulo - 15 de janeiro de 2002

Estava hospitalizado, no Maranhão, quando o sr. Mauro Chaves escreveu um indelicado artigo a meu respeito. Somente agora venho analisá-lo. Aliomar Baleeiro, na Câmara Federal, em aparte a um orador que louvava a contribuição de sua família à História do Brasil, respondeu: "Tenho muito respeito e inveja de V. Exa., mas comigo o ancestral sou eu mesmo." Assim me identifico. A roupa de oligarca não é do meu temperamento cordial e humano.

Em 1965, fui eleito, pela oposição, governador do Maranhão, Estado que, pelas condições políticas e sociais, vivia no século 19. Não tínhamos um quilômetro de estrada asfaltada, só existiam um ginásio oficial, o Liceu, onde estudei, e duas faculdades, a de Direito e a de Farmácia. As cadeias públicas eram os troncos dos tempos da escravatura. A energia consumida na capital era produzida por quatro motores movidos a lenha. No interior, vi a iluminação por candeeiros de querosene, colocados em quatro ou cinco postes.

A expectativa de vida era de 29 anos. A agricultura era o roçado da queima, nenhum trator para a cultura da terra. A política era a polícia, a violência, o espancamento de jornalistas, o capitão-do-mato, com o título honorífico de subdelegado, em todos os povoados, para manter a estrutura feudal e arcaica. Glauber Rocha, no famoso e premiado documentário Maranhão 66, perpetuou esse estado de miséria e abandono.

Nestes 36 anos, tudo mudou. Hoje, o Maranhão é o quarto porto do Brasil, o mais moderno, com 50 milhões de toneladas de carga, o maior saldo de exportação do Nordeste, uma das melhores infra-estruturas da região, estradas, energia, comunicação; a mais moderna estrada de ferro do Brasil, correndo do sul do Maranhão ao Porto de Itaqui, transportando 1,8 milhão de toneladas de grãos, das quais 700 mil de soja; a Base de Alcântara, lançando foguetes meteorológicos e se preparando para lançar satélites; a mais moderna fábrica de alumínio do mundo, da Alcoa, investimento de US$ 3 bilhões; unidades de pelotização e guserias. O mais dinâmico pólo agrícola do País: Balsas. US$ 700 milhões de exportação, quase um terço do superávit da balança comercial brasileira em 2001.

No meu mandato de governador criei duas universidades, a Federal, graças ao presidente Castelo Branco, e as Faculdades de Administração, Comunicação, Agricultura, Engenharia, Educação, base da Universidade Estadual. Meu lema - atingido - foi uma escola por dia, mais de um ginásio por mês (criados 64) e uma faculdade por ano. Eletrificamos o Estado inteiro com a construção das duas primeiras hidrelétricas da região, Itapecuruzinho e Boa Esperança.

Orgulho-me da projeção e do trabalho que consegui realizar pelo meu Estado, cujo povo, meu juiz, sempre, em eleições sucessivas, tem reconhecido esse esforço.

Naquela época, passou pelo Maranhão o grande ícone da nossa imprensa, Júlio de Mesquita Filho, e, ao testemunhar o descalabro do Estado e o esforço de nossa equipe, disse aos jornais: "Passo a reacreditar no Brasil depois que visitei o Maranhão."

O Maranhão é exemplo de saneamento fiscal e de modernização administrativa.

A média de empregados funcionários no Brasil é de 35%, no Maranhão é de 15%.

Os gastos com pessoal são de 50%. Nada de empreguismo. Roseana extinguiu todas as secretarias, adotou o sistema de gerências, governa com transparência e correção, é julgada pelo povo a melhor governadora do Brasil, com 88% de aprovação. Se o Maranhão é tão pobre e tantos pobres apóiam Roseana, é porque estão satisfeitos. Bom exemplo para o Brasil, onde os pobres odeiam os que governam.

A Roseana coube a tarefa de modernizar o Maranhão. Nada tenho que ver com seu sucesso. Se tenho erros, pago pelos meus erros. Ela não é responsável por eles. Ela caminha com seus próprios pés, independência e personalidade.

Quanto à pobreza do Maranhão, é estranho que só agora se lembrem dela. A pobreza do Maranhão é a mesma do Brasil. Pegaram só um índice do Maranhão, a renda familiar, para nos atacar. O próprio IBGE diz que esses dados são distorcidos, porque 30% dos formulários não informaram renda.

O índice do Gini, que mede a distribuição de riqueza, e aponta o fundamental, diz que o Maranhão é o Estado com menor concentração de renda no Nordeste.

O Índice de Desenvolvimento Humanao (IDH) do Maranhão não é, como afirmou o sr. Chaves, o último do Brasil. Atrás do Maranhão há outros Estados.

Vexaminoso mesmo não é o nosso índice, é o índice do Brasil, de 0.750, 69.º do mundo, ao lado de países muito pobres, africanos e asiáticos. O IDH das nossas minorias negras está no 101.º lugar, igual ao da Argélia e do Vietnã.

São Paulo, o Estado mais rico do Brasil, é o que tem mais pobres no País, com 14% dos responsáveis pelos domicílios com rendimento inferior a um salário mínimo. Minas tem 11% e Rio, Pernambuco e Ceará, 7%. O Maranhão vem depois destes, com 4,5%!

A maior mortalidade de crianças por inanição em nosso país, 31 em mil, está no "Corredor da Fome" em São Paulo, no Vale do Ribeira, segundo dados da Fundação Orsa. É culpa de Alckmin, da Fiesp, do presidente FHC? Não, é a tragédia da desigualdade. Nos EUA e na Europa há igualmente bolsões de pobreza.

O desempenho do Maranhão é, ao contrário do que afirmaram, melhor que o do Brasil. Vamos citar o IBGE: "Constatou-se que a renda familiar per capita do Maranhão cresceu quase 50%, entre 81 e 99, desempenho muito acima da maioria do Nordeste (25%) e do Brasil (30%) ... Apesar de ser o Maranhão um dos Estados com mais altos níveis de carência, ao longo das últimas duas décadas e, em particular, desde 1994" - no governo Roseana -, "as melhorias sociais têm sido bem superiores às ocorridas no Nordeste e no Brasil."

Não posso deixar passar em branco a afirmação da decadência cultural do Maranhão. Em nenhum tempo o Maranhão teve tanto destaque cultural no País como no século 20. Atravessamos para o século 21 com o maior poeta vivo do Brasil, Ferreira Gullar, e com Josué Montello, 120 livros publicados, o maior conjunto de obras de um escritor brasileiro. Romancistas, poetas, ensaístas fizeram e fazem a glória cultural do Estado, sem falar da cultura popular, com nomes como Alcione, Joãosinho Trinta, João do Vale, Zeca Baleiro, Rita Ribeiro e tantos outros.

São Luís, considerada pela Unesco, agora, Patrimônio da Humanidade, tem o maior projeto de restauração histórica do País e é a cidade menos violenta do Brasil. Nestes 30 anos, a cidade tornou-se uma das de melhor qualidade de vida do Brasil, com plano diretor, sistemas viários, pontes atravessando os Rios Bacanga e Anil, e um dos pontos de atração turística do Nordeste, que se estende ao complexo de Lençóis com acesso de auto-estrada aberto pelo governo Roseana.

Desculpo o sr. Mauro Chaves. Alguém lhe passou informações erradas, porque ele perderia qualquer qualificação para falar do Maranhão com apenas uma só delas: que o Maranhão teve "um dos melhores jornais do Império - o Timon, editado pelo insigne Luís Francisco Lisboa". Meu Deus! O Timon nunca existiu. Jornal de Timon é o título que deu a quatro volumes de estudos sobre eleições, direitos, usos e costumes, História do Brasil e do Maranhão, livros clássicos, o grande historiador maranhense João Francisco Lisboa, que com Varnhagen e Joaquim Caetano da Silva renovou a historiografia do Brasil.

Chamar o grande João Lisboa de Luís Francisco não se pode admitir num "promotor cultural". Luís Francisco é o procurador da República do caso Nicolau.

Nossos números não nos agradam. Os indicadores sociais brasileiros são vergonhosos. O Maranhão não é o vilão da história da pobreza no Brasil. Em 40 anos, teve uma transformação extraordinária e, pelo IBGE, é um dos Estados que mais avançaram na área social.

E, para alegria nossa, a Petrobrás, agora, anuncia descoberta de petróleo em nossa bacia marítima. O Maranhão é um Estado que tem história, tradição cultural, presente e futuro econômico. Não pode ser tratado, por motivos eleitorais, dessa maneira. </Julio> <!--06:10-->

 Os Sarneys e o charme da miséria - 2
Mauro Chaves é jornalista, advogado, escritor e produtor cultural
O Estado de São Paulo - 12 de janeiro de 2002

Muitos podem estar se perguntando, com certa perplexidade: se, de todos os Estados brasileiros, o Maranhão é o que apresenta a situação social mais calamitosa, mantendo (desde 1985) o pior PIB per capita do Pais; se o Maranhão tem hoje a maior parcela da população (62,37%) vivendo abaixo da linha de miséria (menos de R$ 80 por pessoa, por mês), de acordo com o Mapa da Fome da Fundação Getúlio Vargas (FGV); se, nas duas gestões da governadora Roseana Sarney, a pobreza só cresceu no Maranhão, pois, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de famílias que lá vivem com até meio salário mínimo aumentou 37% - enquanto no resto do País diminuiu 22%; se, nas duas gestões da governadora Roseana Sarney, cresceram tanto a mortalidade infantil quanto a evasão escolar - segundo dados da mesma respeitada instituição, contidos no Censo 2000; se, segundo a última medição do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU, o Maranhão está no mesmo patamar de miséria de nações africanas como Gana e Congo - e basta lembrar que 39,8% das casas maranhenses não têm sequer banheiro ou sanitário; como se explica, então, o fato de a governadora Roseana Sarney alcançar um bom índice de aprovação em seu Estado?

E como se explica o fato de, nos últimos 36 anos - isto é, desde 1965, quando José Sarney se elegeu governador do Maranhão -, o eleitorado maranhense ter escolhido, para o governo do Estado, uma seqüência ininterrupta de correligionários e amigos diletos de José Sarney (João Castelo Ribeiro Gonçalves, Oswaldo Nunes Freyre, Luiz Rocha, Epitácio Cafeteira, João Alberto, Édison Lobão e a filha Roseana Sarney), se nesse tempo todo o Maranhão, que no passado fora um marco cultural e histórico do País, entrou em franca decadência econômica, social e cultural?

Decifremos o enigma. Antes de mais nada, a família Sarney exerce domínio absoluto sobre todo o sistema de comunicação do Maranhão. É dona do principal jornal - O Estado do Maranhão - e do principal sistema de rádio e televisão - o Sistema Mirante e o Mirante Sat, que recebem o sinal da Rede Globo. Os outros dois sistemas de TV mais importantes do Estado pertencem a correligionários e/ou diletíssimos aliados da família, como é o caso do dono da Difusora (que recebe o sinal do SBT), senador Édison Lobão, e do dono da TV Praia Grande (que recebe o sinal da Bandeirantes), deputado estadual Manuel Ribeiro, há oito anos presidente da Assembléia Legislativa do Maranhão (onde a governadora tem 36 dos 42 membros).
Interagindo com o governo, num processo de publicidade institucional massificada, intensa e constante, os sistemas de comunicação social maranhense exercem, com perfeição, um duplo papel. Primeiro é o de manter um clima permanentemente festivo, com a divulgação diuturna das promoções governamentais, dentro da estratégia de programação político-espetacular denominada "Viva". Trata-se do seguinte: o governo maranhense organiza, permanentemente, festejos públicos em diferentes locais, com ampla concentração popular, tendo como pólo de atração artistas famosos, danças, farta venda de bebidas, etc. Batiza-se a grande festa de acordo com o nome do bairro ou da região escolhida: por exemplo, "Viva Renascença!", ou "Viva Maiobão!", ou "Viva Liberdade", ou "Viva Bairro de Fátima", ou "Viva Madre Deus", ou "Viva Anjo da Guarda". Certamente é uma iniciativa inspirada na velha prática dos imperadores romanos, denominada panem et circenses (embora sem panem, pelo que talvez mais apropriado fosse denominar cachaçorum et circenses).

O segundo papel fundamental do integradíssimo sistema de comunicação controlado pela família Sarney consiste em abafar tanto fracassos administrativos quanto irregularidades apontadas ou investigadas - seja pelos Tribunais de Contas, pela Polícia Federal ou pelo Ministério Público -, que acabam deixando de se tornar, pela absoluta desinformação popular, objeto de pressão por parte da opinião pública maranhense.

Dentre os inúmeros exemplos de atuação dessa mordaça comunicológica, poderiamos mencionar o caso do Pólo de Confecções de Rosário, um ambicioso projeto de U$ 20 milhões - a cerca de 100 km de São Luís -, inaugurado pomposamente (com a presença de FHC), para gerar 4 mil empregos. Na verdade, tratava-se do conto-do-vigário de um chinês de Taiwan interessado em vender máquinas de costura - e que acabou preso em Manaus, por estelionato. E o que era para ser uma moderna cooperativa, alardeada pela governadora, se tornou uma minguada produção artesanal, que só emprega cerca de 400 pessoas, ganhando em torno de R$ 100 por mês (por falta de coisa melhor). Ou o caso da Usimar, projeto orçado em R$ 1,3 bilhão, que teve aprovação recorde (com o empenho total da governadora e de seu marido) na Sudam, levantou com rapidez inédita R$ 44 milhões e evaporou (pelo que o Ministério Público entrou com ação civil contra Roseana e Jorge Murad). Ou o caso Salangô, projeto de irrigação destinado à produção de arroz e cítricos, que recebeu cerca de R$ 60 milhões há anos, não produz nada e está eivado de graves irregularidades (inclusive superfaturamento), segundo o TCU. Ou o caso do projeto de despoluição da Lagoa de Jansen (centro de São Luís), que também gastou R$ 60 milhões (federais) para não despoluir nada, além das graves irregularidades (inclusive superfaturamento) apontadas pelo TCU. Ou o caso da "estrada fantasma" Paulo Ramos-Arame, onde foram gastos U$ 33 milhões em obras inexistentes. Ou o caso da duplicação do Projeto Italuis - R$300 milhões -, obra de saneamento também com graves irregularidades (inclusive superfaturamento) apontadas pelo TCU.

Nada disso é trazido à discussão pública pelos veículos de comunicação maranhenses. E, convenhamos, uma população em que 39,8% de seus integrantes não podem nem dispor de chuveiros e privadas na própria residência, e para a qual não foram construídas novas salas de aula nos últimos sete anos, que tipo de espiríto crítico poderá ter desenvolvido - nas últimas três décadas e nos últimos sete anos - dentro da anestesiante festividade com que tem sido embromada a sua sensação de real (mesmo que charmosa) miséria? </Julio> <!--06:10-->

 Oligarquia controla política no Estado
José Maria Mayrink
O Estado de São Paulo - 23 de dezembro 2001

Piadinha literária que corre entre os adversários do senador José Sarney em São Luís: quando publicou O Dono do Mar, em 1995, ele não pretendia escrever um romance, mas sim uma autobiografia, que se chamaria O Dono do Maranhão. Em vez de contar histórias de pescadores da Ilha de Curupu, uma das propriedades da família, o livro registraria a trajetória política e empresarial do deputado, governador e presidente que há 36 anos controla o Estado.

Nenhum exagero no título da obra. Sarney projeta-se no cenário maranhense desde 1958, quando se elegeu deputado federal. Reeleito quatro anos depois, chegou a governador em 1965 e a presidente da República em 1985. Começou na Bossa Nova da antiga UDN e, durante o regime militar, pertenceu à Arena e ao PDS, antes de se filiar ao PMDB, seu atual partido, pelo qual se tornou senador do Amapá. Jornalista e advogado, candidatou-se ao Palácio dos Leões com o slogan "Maranhão Novo", projeto de renovação que prometia riscar do mapa o Maranhão "atrasado" e "arcaico" herdado da administração de Victorino Freire. Roseana retomou a idéia, com a bandeira do "Novo Tempo".

Muito antes de chegar ao Palácio do Planalto com a morte de Tancredo Neves, de quem era vice, o ex-governador espalhou a marca de seu nome pelo Estado. São Luís tem Ponte Governador José Sarney, Avenida Senador Sarney e quatro ruas batizadas com placas em sua homenagem. A capital tem ainda o Memorial José Sarney, no claustro do Convento das Mercês, restaurado para abrigar a Fundação Memória Republicana, com o objetivo de preservar a passagem de Sarney pela Presidência. Uma das atrações turísticas do claustro do convento é o túmulo de mármore que o senador mandou construir para ele. Um dos 217 municípios do Estado também leva seu nome - a pequena Presidente Sarney, de 13.718 habitantes.

Império
Ex-repórter policial dos Diários Associados, Sarney construiu um império de comunicação no Estado, a partir da aquisição do extinto Jornal do Dia, que em 1973 se transformou no atual O Estado do Maranhão. Com tiragem de 16 mil exemplares durante a semana e cerca de 22 mil aos domingos, é o maior e mais importante dos dez diários de São Luís. Sua redação, de 70 jornalistas, funciona no moderno complexo do Sistema Mirante de Comunicação, que abriga também a TV Mirante e duas emissoras de rádio.

O administrador dos bens da família é Fernando Sarney, filho caçula de Sarney e principal sócio nesse ramo. Ele e os irmãos mais velhos - Roseana e José Sarney Filho, ministro do Meio Ambiente - aparecem no cadastro do Ministério das Comunicações como sócios de 42 emissoras de rádio ou de televisão em Caxias, Imperatriz, Pinheiro, São Luís e Timon. De acordo com a relação oficial, a família Sarney é dona de cinco empresas nessas cidades: Televisão Mirante, Rádio Mirante, Rádio Interior, Rádio Mirante do Maranhão e Rádio Difusora de Timon.

A TV Mirante, repetidora da Rede Globo, tem quatro geradoras na capital e no interior. A rede cobre metade do território do Maranhão, com uma média de 55% de audiência. A segunda colocada, com 30% de audiência, é a TV Difusora (SBT), da família do senador Édison Lobão (PFL), ex-governador e aliado de Sarney. As outras emissoras, nenhuma de oposição, também são controladas por políticos. Na imprensa, o único jornal que abre espaço para adversários do governo é o Jornal Pequeno, tiragem de sete mil exemplares. "Sofremos a conseqüência disso no reparte das verbas publicitárias, pois recebemos pouco anúncio", informa a diretora administrativa, Josilda Bogéa Anchieta.

Verbas
A maior fatia do bolo, mais de 60% do total, vai para o jornal, televisões e rádios da família Sarney. "Roseana é a única governadora que ocupa os dois lados do balcão, pois ela paga e ela mesma recebe", afirma o deputado Aderson Lago (PSDB), depois de denunciar, na Assembléia, um "injustificável aumento de 31%" no orçamento da Assessoria de Comunicação. Os recursos previstos para o próximo ano, de R$ 10,4 milhões, cobrirão, segundo a governadora, não apenas anúncios, mas também despesas de divulgação de ações do governo. Campanhas de vacinação, por exemplo. O jornal e as emissoras de rádio e de televisão da família dão cobertura total à administração de Roseana.

A família Sarney tem uma das maiores fortunas do Maranhão, com dezenas de imóveis em São Luís, no interior e em outros Estados. As propriedades mais ricas são uma fazenda na Ilha de Curupu e uma mansão na praia do Calhau, propriedades que Sarney incluiu em sua declaração bens, quando se candidatou a senador pelo Amapá, em 1990. Roseana declarou à Justiça Eleitoral que tem 15 imóveis, entre os quais 25% de participação na Fazenda Curupu, herança de família.

"Não sei em quanto estão avaliadas nossas posses, mas garanto que são fruto de muito trabalho", disse a governadora ao Estado. Rebatendo suspeitas levantadas por seus adversários de que a riqueza dos Sarneys seria fruto de favorecimentos de grandes empreiteiras, Roseana afirma que, "embora ninguém tenha sido mais investigado que os Sarney", nada se apurou de irregular no crescimento dos bens da família. </Julio> <!--05:58-->

 A pobreza do Maranhão, em 36 anos de Sarney
Roseana promete 'Novo Tempo', retomando bandeira que seu pai levantou em 1965
José Maria Mayrink
O Estado de São Paulo - 23 de dezembro 2001

O Maranhão tem os piores indicadores sociais do País, segundo as últimas pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas esses dados não assustam a equipe da governadora Roseana Sarney (PFL), provável candidata à Presidência da República nas eleições de 2002. Como não pode negar os números que apontam o Estado como campeão da pobreza e um dos últimos colocados nos itens alfabetização, emprego e mortalidade infantil, a equipe de Roseana argumenta que a situação era muito pior há sete anos, quando ela chegou ao governo.

É uma situação crônica. O Maranhão já era pobre em 1965, quando o senador José Sarney Costa, pai de Roseana, elegeu-se governador. E continuou mal nas décadas seguintes, enquanto Sarney e sua família aumentavam o controle sobre o Estado, especialmente quando o patriarca foi presidente da República. Apesar de reconhecer que o Maranhão sempre esteve entre as regiões mais atrasadas do País, a governadora acha que sua família melhorou a vida do povo.

"Quando meu pai assumiu o governo, não havia estradas nem energia nem escolas", afirma Roseana, lembrando que, no ensino de nível médio, só havia "um ginásio". Oligarquia Sarney? A governadora não gosta da expressão e adverte que, se a família está há tanto tempo no poder, "foi sempre pela via democrática, pelo voto".

Luta
E por que Sarney não resolveu o problema do Maranhão? "Porque também não se resolveu o problema do Brasil", responde Roseana. "O Maranhão, que ocupa o terceiro lugar na luta pelo aumento da renda per capita, conseguiu elevar o Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 1.277 para R$ 1.402, entre 1996 e 1999", observa o gerente (secretário) estadual de Planejamento, Jorge Murad, marido da governadora.

Segundo levantamento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE (Pnad), o Estado tem a maior proporção de pobres do País - 66,1%, contra 64,6% no Piauí e 60,2% em Alagoas. Em 1993, o índice do Maranhão era de 73,7%, quatro pontos acima dos índices dos outros dois Estados."Vejo pobreza, não vejo miséria", diz Roseana, ao analisar esses índices.

O quadro de 1999 continua ruim com relação às taxas de mortalidade infantil - 54,2 por 1.000 nascidos vivos - mas é bem melhor do que o registrado em 1992, quando o índice foi de 70,7.

O Maranhão promete investir na área social cerca de R$ 911 milhões, de um orçamento de R$ 2,7 bilhões, para combater a pobreza e acelerar o desenvolvimento. É bastante, em comparação com outros Estados do Norte e Nordeste. O Amazonas investirá R$ 480 milhões de um orçamento de R$ 2,1 bilhões e o Rio Grande do Norte, com orçamento de R$ 2,5 bilhões, investirá R$ 451,3 milhões. No Piauí, o investimento será de cerca de 10% do orçamento de R$ 1,6 bilhão.

Murad faz questão de medir a evolução dos últimos anos, em vez de analisar isoladamente os indicadores do IBGE. O governo do Maranhão encomendou estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV) para interpretação dos dados. O diretor do Ipea, Ricardo Paes de Barros, já entregou a Roseana um relatório de seis páginas com o balanço da situação social do Maranhão. Conclusão do relatório: "Estes resultados revelam que, apesar de ser o Maranhão um dos Estados com mais altos níveis de carência, ao longo das últimas duas décadas e, em particular desde 1994, as melhorias sociais verificadas no Estado têm sido bem superiores às ocorridas na região Nordeste e no País."

Desconfiança
O deputado Roberto Rocha (PSDB) estranha que o Ipea e a FGV tenham aceito a encomenda. "A natureza dos trabalhos contratados com o governo do Maranhão deixa as duas instituições no patamar de alguns institutos de pesquisa de opinião que geram o produto que o candidato pretende publicar", criticou o tucano na Câmara Federal.

"Levantar essa suspeita é fazer pouco caso do Ipea e da FGV", defendeu-se Murad. O governo estadual pagou R$ 17 milhões à Fundação Getúlio Vargas e, segundo o secretário do Planejamento, cerca de R$ 100 mil ao Ipea.

De acordo com o balanço do Ipea, a taxa de desemprego do Maranhão, de 4%, é menor que a do Brasil (10%) e que a do Nordeste (8%). O problema não é tanto o desemprego, mas a qualidade do emprego. Apenas 15% dos trabalhadores, incluindo funcionários públicos, têm carteira assinada.

"Se os maranhenses não morrem de fome por falta de trabalho, é porque milhões de pessoas vivem à custa do INSS", observa o ex-deputado Freitas Diniz, adversário da família Sarney. O Maranhão tem 518.428 aposentados e pensionistas, aos quais a Previdência Social pagou R$ 192.318.843 em novembro. Um dos beneficiários é Sarney, que recebe duas pensões - R$ 6,8 mil como aposentado do Tribunal de Justiça e cerca de R$ 6 mil como ex-governador do Maranhão. (Colaborou Rosa Costa) </Julio> <!--05:58-->

 Roseana vai invadir sua praia. À caça de votos
Sílvio Bressan
Jornal da Tarde

A governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), quer aproveitar a estação das praias para consolidar sua candidatura à Presidência. Para isso, o PFL monta uma verdadeira "operação verão", que inclui campanhas de divulgação pelo litoral, incursões na mídia e em grandes eventos no centro do País.

"Em março, Roseana já estará com mais de 25% dos votos consolidados", diz um estrategista do PFL. A operação ainda não foi anunciada oficialmente porque o partido está consultando advogados.

"Vamos tomar o máximo de cuidado para que nada seja caracterizado como campanha eleitoral", diz o secretário-executivo do PFL, Saulo Queiroz. "Ações paralelas ao programa eleitoral serão úteis para consolidar a candidatura Roseana."

Para driblar a legislação eleitoral, a "operação verão" não teria patrocínio oficial do PFL. "A idéia é primeiro invadir as praias com um movimento popular pela candidatura Roseana", diz um consultor do partido. "Depois vamos para a grande mídia, levando a candidata aos programas mais populares."

Para ele, a primeira etapa será inaugurada nos próximos dias. Serão distribuídos bonés, sacolas, buttons e materiais de campanha com o nome de Roseana pela maioria das praias brasileiras. "A idéia é assegurar de vez o voto das mulheres, eleitorado em que Roseana já tem mais de 60% da preferência."

O segundo passo será mais ousado. A governadora deve comparecer a vários programas de rádio e TV para se aproximar mais dos eleitores. Na agenda, estão os programas de Gugu Liberato, Hebe Camargo e Ratinho. Apesar da nova estratégia, o PFL preocupa-se em evitar a superexposição da candidata. "Roseana não vai entrar em debates, até porque é desnecessário agora", diz um dos estrategistas do partido. "Trata-se apenas de maior aproximação, um contato mais direto com o telespectador que o programa eleitoral não permite."

Parte três: eventos nas capitais. "Em vez de ir a debate na Fiesp, ela vai ao Fashion Mall, a feira de modas de São Paulo", cita o pefelista.

Saulo Queiroz ressalta que o principal foco do partido continuará sendo o programa eleitoral em rádio e TV, com 20 minutos, que vai ao ar em 31 de janeiro. Antes, o PFL terá mais 20 minutos, divididos em programas de cinco minutos, quando Roseana será a atriz principal. "O objetivo é ter em março maior índice no voto espontâneo." Roseana tem 8% na pesquisa espontânea. "Se chegarmos lá com 12%, será uma grande conquista." </Julio> <!--05:56-->

 FHC visita Sarney e faz acordo de paz
O Estado de São Paulo - 13 de janeiro de 2002

Antes de embarcar para uma viagem de quase uma semana aos países do leste europeu, o presidente Fernando Henrique Cardoso visitou o ex-presidente e senador José Sarney (PMDB-AP), para apaziguar os ânimos acirrados nos últimos dias entre tucano e pefelistas. “Em relação a mim, perdôo tudo, mas em relação à minha filha, não tenho a mesma disposição”, disse Sarney, depois do encontro com o presidente, demonstrando insatisfação com as críticas feitas por tucanos à candidatura de sua filha, a governadora Roseana Sarney (PFL).

FHC teme que, na sua ausência, o tom das críticas aumentem, dificultando a manutenção da unidade da base governista. Por isso, na quinta-feira, quando soube da irritação de Sarney e de sua filha, tratou de procurá-lo para evitar que a situação fugisse de seu controle.

Ao conversar com Sarney, pelo telefone, de acordo com interlocutores, FHC percebeu que a divulgação do aviso aos tucanos de que estavam proibidos de atacar o PFl e Roseana não foi suficiente para acalmar o ex-presidente. Preferiu, então, ir pessoalmente dizer a Sarney que não aceitará hostilidades entre candidatos e que desaprova esse tipo de ação.

Sarney espera que a campanha presidencial deste ano “tenha um nível elevado, que possa demonstrar o avanço do processo democrático no País”. Para ele, “fazer ataques pessoais é uma maneira muito subdesenvolvida” de fazer política. Mas as respostas aos ataques, de acordo com Sarney, ficarão a cargo do PFL e da própria Roseana.

“Qualquer problema nesse sentido, a conversa não será comigo”, declarou. “Meu problema é de solidariedade pessoal à minha filha.” O ex-presidente explicou que não costuma guardar mágoas e, quando os ataques são contra ele, é tolerante e esquece o ocorrido. “Mas, como pai faço o que puder e posso reagir de maneira diferente.” Ele admitiu que “de alguma forma” sua filha já foi atingida, mas se esquivou de identificar os tucanos como os responsáveis pelos ataques.

Sarney aproveitou para sinalizar que as agressões não ficarão sem respostas.“Ninguém vai pensar que passará incólume de todo esse processo. Perdôo tudo contra mim, mas não contra minha filha”, afirmou ele, classificando a visita de FHC como "muito importante". </Julio> <!--05:30-->

 Vamos de Roseana?
Fernando Pedreira
O Estado de São Paulo - 13 de janeiro de 2002

Para quem, como este cronista, passou duas semanas inteiras fazendo o périplo do vasto território argentino e sentindo, mesmo em suas províncias mais distantes, como em Ushuaia ou Puerto Madryn, o reflexo da terrível crise platina, não deixa de ser uma surpresa revigorante reencontrar o Brasil tal como parece estar hoje: um país que esqueceu os velhos ritmos, digamos, pré-carnavalescos e se mostra decidido, desde os primeiros dias do ano-novo, a retomar os confrontos e batalhas que impõe o seu futuro político.

Há fortes sinais, mesmo, de que os acontecimentos se precipitam: o partido dos "tucanos", o PSDB, partido do próprio presidente da República, anuncia, já para quarta-feira próxima, o lançamento do seu candidato à Presidência, o ministro da Saúde José Serra, que a rigor só se devia consagrar numa convenção nacional, daqui a mais alguns meses. Por sua vez, seu rival mais forte, o governador do Ceará, Tasso Jereissati, para não ficar falando sozinho, ameaça entender-se com outros partidos e criar uma dissidência em sua própria agremiação, que poderia incluir até mesmo os seguidores do falecido governador de São Paulo Mário Covas.

Ventos, pois, de tempestade sacodem a cena política. Um outro ministro, Raul Jungmann, especializado até aqui em MST e "assentamentos agrários", se lança candidato entre os populistas de outro grande partido de base governamental, o veterano PMDB, com propósitos claramente confusionistas; sua intenção seria barrar (ou borrar) ainda mais o caminho do governador mineiro, Itamar Franco, e dos outros candidatos naturais do peemedebismo, como o senador gaúcho Pedro Simon.

Que significa tudo isso? Na verdade, o governo e o próprio presidente Fernando Henrique reagem (ou se esforçam para reagir) a um fato novo, inesperado: a atitude decididamente favorável do povo e do eleitorado, verificada nas pesquisas de opinião, diante do surgimento da candidatura presidencial da governadora do Maranhão, Roseana Sarney. Quem lançou Roseana? Quem inventou essa candidatura nova, nascida de um pequeno Estado sem maior importância política ou peso eleitoral? Não importa. O que realmente importa é que a candidatura da governadora vingou e, ao menos até agora, meses depois de nascida, parece refletir anseios e inclinações profundos e crescentes de um grande número de votantes, especialmente entre o eleitorado feminino e amplas faixas populares.

Roseana, asseveram as pesquisas, aproxima-se do favorito, Luiz Inácio Lula da Silva, já no primeiro turno; no segundo turno, derrota o petista por nítida margem. Não é de admirar, portanto, que o PFL, partido da governadora e membro destacado, também, da célebre base de apoio governamental, se tenha apressado a encampar sua candidatura. Para o presidente nacional do partido, o catarinense Jorge Bornhausen, o jogo está clara e limpamente posto. Quem deve ser o candidato governista nas eleições de 2002? Os próprios eleitores decidem. No primeiro turno, cada partido terá o seu próprio nome: Roseana no PFL, Serra no PSDB, Simon (ou outro) no PMDB. Quem tiver mais votos disputa a Presidência, no segundo turno, com o adversário petista, tido, pelo menos até agora, como grande favorito.

Nada mais simples; nada mais justo ou mais democrático. Mas, também, nada mais contrário aos planos e propósitos palacianos. Toda a estratégia eleitoral do governo repousava numa velha e comprovada fórmula: imprensar os eleitores entre as pontas de um dilema capaz de assustar ou apavorar a maioria do povo ou, quando menos, os amplos segmentos tidos como mais responsáveis: ou Lula, ou eu. Por duas vezes, o próprio FHC se beneficiou desse esquema e nem sequer precisou do segundo turno para vencer. Agora, exatamente quando o palácio já não dispõe de um nome com a mesma força e o mesmo prestígio, é que aparece a candidatura maranhense, com seu inesperado apelo popular. Se José Serra quiser tentar ganhar do Lula, terá de primeiro superar Roseana, e não há até agora sequer indícios de que seja capaz de fazê-lo.

Complicou-se, pois, enormemente a tarefa dos estrategas do palácio e dos seus agentes. Antes, era preciso apenas cortar o caminho do candidato Itamar na selva corrupta e fisiológica do PMDB. Hoje, além disso, será preciso igualmente interromper o progresso de Roseana no também fisiológico, mas certamente bem mais respeitável e conseqüente PFL. São dois casos diversos, mas que se somam. Por que haveriam os peemedebistas de contrariar o governo e confiar no imprevisível Itamar? Já o caso de Roseana é obviamente diferente; abrindo mão de sua candidatura, o PFL estaria, na verdade, abrindo mão da própria Presidência da República, ao menos na medida em que se pode crer nas pesquisas, além de se recusar a servir de intérprete a anseios talvez difusos, mas nem por isso menos claros e persistentes, de amplos setores da opinião pública.

Pode-se bem imaginar a irritação e a surpresa do próprio FHC. "Então, vocês querem mesmo fazer a Roseana presidente?", pensará ele com seus botões. A verdade, entretanto, é que o Serra pode ser tecnicamente e intelectualmente mais capaz e bem preparado, mas há um grande número de eleitores (de brasileiras e brasileiros) que são hoje gratos a Roseana por nos ter livrado de um dilema difícil de engolir e de ter oferecido ao País uma alternativa diferente, menos temível, não governista ou palaciana, embora também não antigovernista, apenas independente.

Se for o caso, vamos de Roseana; por que não? Não há por que supor que o Brasil deva ser sempre governado, daqui para a frente, por grandes gênios políticos ou extraordinários estadistas. Um pouco de senso comum e pé no chão freqüentemente fazem muita falta. Até os Estados Unidos têm o seu dia de Bush. Ou de Jimmy Carter. Não sei o que vai fazer, agora, o presidente FHC, mas é possível prever com certeza que, a partir da próxima quarta-feira, quando José Serra assumir o comando dos batalhões governistas, o jogo vai ser pesado e bruto.

Dizia-se, no meu tempo de menino, que futebol é jogo para homem, quanto mais a política... Mas será uma grande tristeza se não tivermos, agora, no Alvorada, um juiz atento e severo, capaz de impedir as piores caneladas e o conseqüente desmoronamento do universo moral que foi, sem dúvida, a grande contribuição fernandista dos últimos tempos, no País. É isso aí. </Julio> <!--05:02-->

 Quem tem medo de Roseana?
José Nêumanne é jornalista, escritor e editorialista do "Jornal da Tarde"
Jornal da Tarde - 15 de janeiro de 2002

O Brasil tem 27 Estados, nenhum deles (nem os mais ricos do Sudeste, o que dirá dos mais pobres do Nordeste) é campeão mundial da justiça social, mas dentre todos só um - o Maranhão - teve o condão de despertar a sagrada ira do episcopado brasileiro, que redigiu e distribuiu um verdadeiro anátema contra sua governadora, Roseana Sarney. Sim, você me dirá, com toda razão: afinal, o Maranhão compareceu com o pior desempenho nos índices sociais no Censo 2000. Ainda assim, mesmo temendo uma maldição (e dizem que a pior praga é a de padre, imagino então a de bispo), eu ouso cometer a heresia de achar que a condenação foi um sinal - mais um - de que a candidatura da filha do ex-presidente já pode ser levada a sério. Em política, ninguém - nem prelado - chuta cachorro morto.

O leitor curioso pode querer saber: por que, afinal, essa surpresa diante da viabilidade de uma candidata, se ela já aparece nas pesquisas como séria pretendente a disputar (e até vencer) o segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva, o favorito do PT? De fato, a dúvida tem lógica. Mas é preciso convir, em primeiro lugar, que a um ano da eleição num país de política dinâmica como é o nosso, pesquisa é mero indício, não dá para levar muito a sério. Só um louco previria a vitória de Fernando Collor e mesmo a de Fernando Henrique, na primeira disputa, 11 meses antes de ela acontecer. E, em segundo lugar, no princípio a candidatura da governadora do Maranhão parecia ser muito mais um bode posto pelo PFL na sala só para assustar um pouco os tucanos, parceiros na aliança governista, e negociar em melhores condições um lugar de vice na chapa do candidato do PSDB, não propriamente uma ambição à disputa para valer.

Só que as experimentações feitas pelos pefelistas na propaganda eleitoral gratuita terminaram por mostrar que talvez a carta da Rainha pudesse levá-los a bater o jogo presidencial e aí o que era para ser apenas um susto terminou se tornando uma opção de verdade. É claro que os adversários - entre eles, e talvez principalmente José Serra, pretendente a presidenciável pelo PSDB - sonham com a hipótese alentadora de que a governadora seja fogo de palha, não tenha consistência, saúde ou vigor para enfrentar a maratona brutal de uma campanha. São eles, contudo, os primeiros a emitir sinais públicos de que, na verdade, a pretendente tem mais garrafa para vender do que gostariam. Como acabam de provar os bispos. No Recife, na reunião nacional do PT, o favorito Luiz Inácio Lula da Silva também manifestou sua inquietude - e a do partido - em relação à filha de José Sarney. E começam a circular na Internet mensagens divulgando a precariedade da situação social no Estado por ela governado.

Nada disso é novidade para quem já cobriu qualquer campanha eleitoral no Brasil - e particularmente uma para a Presidência da República. Pode ser que Roseana não tenha respostas satisfatórias para as críticas ao estado deplorável do Maranhão governado pela família Sarney desde os tempos em que Glauber Rocha se iniciava no cinema documentando a campanha de seu pai. Pode ser que ela não consiga explicar por que se casou pela segunda vez com o mesmo marido para evitar que o cunhado a enfrentasse. Pode ser que lhe falte estofo para atravessar incólume o cipoal de dossiês preparados pelos inimigos. Tudo isso é provável.

Mas é bom que desde já se saiba que essa não será uma guerra dos dragões da malandragem política contra uma donzela indefesa. Roseana não é a herdeira de José Sarney porque é a "queridinha do papai", mas por ser uma política fina, fria, hábil e dura. Como deputada federal, articulou a derrubada de Collor da Presidência com a eficiência e a sobriedade que aprendeu nos anos de militância na extrema esquerda. Fernando Henrique, que fez o mesmo trabalho no Senado, sabe disso. E tanto sabe que já pediu para seu candidato, o ministro da Saúde, não exagerar nas críticas feitas a ela. E procurou acalmar-lhe o pai, com quem andou às turras desde o lamentável episódio da substituição de Antonio Carlos Magalhães na Presidência do Congresso Nacional.

Também não é sensato imaginar que o alto índice de aprovação popular a seu governo deva-se apenas ao controle que o clã exerce sobre os meios de comunicação maranhenses. Esse controle deve ser relevante, mas não pode explicar tudo. Não justifica, por exemplo, a alta aceitação que seu nome está tendo nas pesquisas nacionais. Qual será a influência do jornal e das emissoras de rádio e tevê de São Luís nas promessas de voto que ela vem recebendo na Vila Carrão? Para entender melhor a penetração de seu nome fora das divisas maranhenses será mais sensato ler o que Roberto DaMatta escreveu em sua coluna no Estado, chamando a atenção do leitorado para a revolução desencadeada neste país tido como machista e preconceituoso, mas que guindou a nordestina Luiza Erundina e a grã-fina Marta Suplicy ao quinto ou sexto posto executivo de maiores importância e responsabilidade. Ninguém pense que conseguirá impedir sua vitória final apostando nas fragilidades que ela não tem. </Julio> <!--05:00-->

 Ciro ataca. E só poupa Roseana
O Estado de São Paulo - 15 de janeiro de 2002

O pré-candidato à Presidência pelo PPS, Ciro Gomes, partiu para o ataque ontem, no 6.º Congresso Brasileiro de Calçados, em São Paulo. Fez acusações ao presidente Fernando Henrique Cardoso, chamou o ministro e pré-candidato do PMDB Raul Jungmann de "bobo", criticou o ministro José Serra, além de dizer que a candidatura do petista Luiz Inácio Lula da Silva é "escolhida para perder".

O único nome poupado foi o da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL).

"Não somarei uma palavra sequer para desqualificá-la."

Ciro disse que FHC articulou o lançamento de Jungmann à sucessão para desestabilizar outras candidaturas governistas. "FHC está desqualificando o processo político e destruindo a organização dos partidos", afirmou. "O que me choca é o ministro (Jungmann) se prestar ao papel de bobo, quase palhaço." Em seguida, sobrou para Serra. "O candidato de FHC é um candidato que o povo brasileiro não quer."

O ex-ministro Maílson da Nóbrega, que deu palestra de manhã e disse que Ciro não tinha chances na sucessão, também foi alvo. "É o canalhocrata maior da República, que aluga a voz e a pena ao Planalto." Na palestra, Maílson disse que as candidaturas dos governadores do Rio, Anthony Garotinho (PSB), e de Minas, Itamar Franco (PMDB), além da de Ciro, estão fadadas ao fracasso.

Afirmou que Ciro e Itamar caminham para uma "insignificância política". </Julio> <!--04:56-->

 Roseana diz que faria governo mais social que FHC
Wilson Tosta
O Estado de São Paulo - 15 de janeiro de 2002

A pré-candidata do PFL à Presidência da República e governadora do Maranhão, Roseana Sarney, afirmou nesta terça-feira que, "com certeza", se fosse eleita presidente, daria mais prioridade em seu governo à área social que a atual administração (do presidente Fernando Henrique Cardoso).

Escolhendo cuidadosamente as palavras, repetindo que ainda não é candidata e tentando marcar a diferença em relação ao campo governista, Roseana elogiou, em parte, a atual política econômica, mas procurou demonstrar aos jornalistas que poderia mudá-la, mesmo pontualmente.

"Acho que a estabilidade econômica é uma conquista, temos que lutar por ela", afirmou. "Agora, cada governo é um governo, tem suas metas, tem seu estilo."

Cautelosa, Roseana evitou falar do lançamento da candidatura de José Serra (PSDB) e defendeu a unidade da base governista, embora vagamente.

"As convenções serão só em junho", afirmou. "E aí tem muito tempo pela frente, dá para a gente conversar, os partidos conversarão e evidentemente tem uma série de circunstâncias e conjunturas que vão ser analisadas."

Perguntada por um repórter sobre a proposta que o PFL fez em 2002 (quando ainda não estava em segundo lugar nas pesquisas), de realizar prévias entre os partidos governistas para escolher o candidato, disse não saber como está a questão agora.

A pefelista afirmou que sempre achou importante uma aliança. "Num regime presidencialista, não se pode governar com um partido só", declarou. "Os partidos têm que ter maioria, o presidente precisa ter maioria no Congresso. Então, minha visão hoje é que nenhum partido faz maioria, então há a necessidade de alianças. Qualquer um que seja eleito presidente vai precisar fazer alianças para governar o País."

A governadora passou o dia no Rio, cumprindo agenda que não foi divulgada, à exceção de um ponto: uma conversa com o prefeito Cesar Maia (PFL). "Falamos sobre pesquisas", disse ela, sem entrar em detalhes.

Ao longo do dia, seus assessores divulgaram informações desencontradas sobre o paradeiro de Roseana, que acabou dando entrevista no Hotel Caesar Park, em Ipanema, na zona sul.

Nesta quarta, na quinta e na sexta-feira, Roseana estará em São Paulo, gravando o programa que o PFL exibirá no próximo dia 31. A pefelista também fará exames médicos. </Julio> <!--04:54-->

 Roseana desmerece críticas de adversários
Jô Pasquato
O Estado de São Paulo - 18 de janeiro de 2002

A governadora e presidenciável Roseana Sarney (PFL-MA) demonstrou hoje que não está preocupada com as críticas feitas por lideranças políticas da oposição e da base aliada a sua provável candidatura à Presidência da República. "Qualquer campanha política tem sempre crítica, é natural do processo e estamos em plena democracia", afirmou Roseana, ao deixar o restaurante A Figueira - Rubaiyat, no bairro dos Jardins, em São Paulo.

Ela almoçou acompanhada dos publicitários Nizan Guanaes e Rui Rodrigues e dos assessores Antonio Martins, Antonio Lima e Tania Fusco. Sobre as críticas feitas pelo governador do Rio e também presidenciável Anthony Garotinho (PSB) ao ex-presidente José Sarney, Roseana evitou entrar em polêmica. Garotinho afirmou que Sarney deixou o governo com inflação de 84%. "Esta é uma pergunta para José Sarney", respondeu Roseana, encerrando o assunto.

Propaganda na TV
Ela também não quis comentar a declaração do presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), que disse que o horário eleitoral gratuito de TV estaria sendo usado para fazer campanha de um candidato específico e não para falar sobre o partido, conforme prevê a legislação eleitoral. "Nada a falar", disse Roseana.

O publicitário Nizan Guanaes, que coordena a propaganda televisiva do PFL, desconversou sobre a utilização do programa para fins eleitorais. "Olha, isto aí é uma questão política. Os políticos é que tem que resolver. Não é da minha esfera", declarou.

Segundo ele, as gravações para o programa do PFL que vai ao ar em rede nacional no dia 31, continuam na semana que vem. Sobre a linha que será adotada no programa, o publicitário disse apenas que seria "improducente" uma linha de ataque aos demais pré-candidatos. "Estamos numa etapa extremamente preliminar. É mais um momento de apresentar uma possível candidatura do que qualquer outra coisa", afirmou. </Julio> <!--04:48-->

 A Globo deseja Mulher
Revista Bundas

Ficção: Andréa Vargas é a personagem de Regina Duarte no próximo calmante, digo, próxima novela da Globo (que, não por acaso, chama-se "Desejos de Mulher").

Mulher, rica, influente e Vargas.

Realidade: Roseana Sarney é a provável candidata à presidência pelo PFL. Certamente a mais indicada para manter a colonização do Brasil sob controle.

Mulher, rica, influente e Sarney.

Em 1992: Por ocasião do Impedimento de Fernando Collor, a Globo lançou a minissérie "Anos Rebeldes", ressaltando a coragem, a consciência, o espírito combativo e, é claro, a rebeldia dos Caras Pintadas.

Em 2002: Exatos 10 anos depois, a mesma Globo exibirá uma novela que ressaltará toda a coragem, a consciência, a liderança e a capacidade das Mulheres.

Nenhum dos dois movimentos teve ou terá caráter revolucionário.

A minissérie, baseada no romance de Rubem Fonseca, apenas foi utilizada para usar os jovens como massa de manobra para um interesse muito maior, que começou a ser preparado em 1992 e acabou eleito e reeleito em 1994 e 1998, respectivamente. A isso, acrescente-se a reportagem do JB, em meados do ano passado, que mostra como o próprio Rubem Fonseca colaborou com a Ditadura Militar, dirigindo filmes, escrevendo roteiros ou apenas fornecendo conselhos para uma melhor dominação através dos órgãos de divulgação. A novela, que será dirigida por Dênis de Carvalho, deverá explorar um fenômeno que há muito é notório em todo o mundo: o grande aumento da influência da mulher em todas as esferas: social, política e econômica. O diretor irá dispor de todos os recursos (inclusive um adicional devido aos fins almejados pela produção) para convencer o brasileiro de que uma mulher tem plenas condições de ser presidente da República.

Paralelo a isso tudo, Roseana Sarney segue dizendo em suas campanhas que transformou o Maranhão (Estado do qual é governadora) na oitava maravilha do mundo e que, por isso, 80% dos habitantes aprovam seu governo. Ora, o leitor mais atento deverá ter ciência de que, quanto mais pobre a região de voto, mais aprovação e menos contestação tem a elite governante. O Maranhão é, simplesmente, o Estado mais pobre do Brasil.

É essa a competência que o brasileiro deve esperar de uma mulher? A de governar um Estado que se mantém como o mais pobre do Brasil - que já é pobre? E por que esta mulher não revela para o brasileiro que a família SARNEY é dona das retransmissoras da TV Globo em todo o Estado do Maranhão? Assim funciona com a família Magalhães na Bahia e funcionava com a família Collor em Alagoas, enquanto este foi presidente.

Os brasileiros e brasileiras não precisam de um presidente que seja jovem e que pratique esportes. Não precisamos de um presidente que fale cinco línguas e seja considerado um intelectual. Nem tampouco precisamos ser governados por um presidente que seja mulher, simplesmente por ser mulher. Nós, brasileiros e brasileiras, precisamos de um presidente que tenha um verdadeiro plano de governo, coerente com a realidade de seu povo e corajoso o suficiente para manter as necessidades do país acima dos interesses dos banqueiros e especuladores nacionais e/ou estrangeiros.

Agora nos resta esperar e ver qual serão as cenas do próximo capítulo. </Julio> <!--04:43-->

 Roseana responde a críticas de Tarso Genro
Jô Pasquatto
O Estado de São Paulo - 17 de janeiro de 2002

A governadora e presidenciável Roseana Sarney (PFL-MA) rebateu na tarde desta quinta-feira as críticas do prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro (PT), à candidatura dela. Genro comparou Roseana ao ex-presidente da República Fernando Collor, dizendo que a candidatura de Roseana é uma "ameaça e uma aventura, semelhante à de Collor".

"É a opinião dele. Não é a minha nem a do povo brasileiro", respondeu a governadora, referindo-se aos 20% de preferência registrados nas pesquisas de intenção de voto, a favor de sua candidatura.

A governadora também foi cautelosa ao comentar o lançamento da pré-candidatura do ministro José Serra (Saúde). "Não tive a oportunidade de ver, estava gravando o programa, mas eu desejo boa sorte ao ministro Serra", afirmou. Roseana não soube dizer se a entrada de Serra na disputa altera os rumos da candidatura pefelista. "Veja bem, não sou candidata, depende da conjuntura, das coisas todas", disse.

Sobre o possível crescimento do ministro José Serra nas pesquisas de opinião, a governadora afirmou que é a própria pesquisa que vai demonstrar se isso ocorrerá ou não. Ao ser questionada sobre qual seria a sua preferência em relação ao vice, se do PSDB ou do PMDB, ela apenas sorriu e disse "não sei". Roseana afirmou ainda que o resultado das próximas pesquisas, que trarão o ministro como pré-candidato oficial do PSDB, não será decisivo. "Como pesquisa, sempre traz uma informação importante, mas acho que ainda tem muito tempo pela frente, temos até junho, quando serão realizadas as convenções partidárias", disse Roseana, referindo-se à definição do candidato da aliança governista. </Julio> <!--04:32-->

 Genro compara Roseana a Collor
Ana Paula Scinocca
Estado de São Paulo - 17 de janeiro de 2002

O prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro (PT), afirmou hoje, em São Paulo, que a candidatura da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), à Presidência da República, representa uma "ameaça e uma aventura tão semelhantes a Collor (o ex-presidente Fernando Collor de Mello) que chega a ser constrangedor". "Ela representa aquele espírito oligárquico de determinados setores do Nordeste que vêm governando o País desde 1964 direta ou indiretamente", afirmou Genro.

O prefeito de Porto Alegre disse ainda que o programa do PFL, exibido na terça-feira, e que tentou associar a crise Argentina, de modo indireto, ao PT, trata-se de "cinismo transformado em política pós-moderna", que fragmenta a realidade. "O cenário mais parecido com a Argentina que houve no Brasil foi o do governo Sarney, que ela (Roseana) estava apoiando e que é representado pela visão oligárquica que está na tradição de toda a sua família", afirmou o prefeito.

Genro faz parte da comissão que elabora o programa de governo petista e disse acreditar que um segundo turno entre o provável candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro da Saúde, José Serra (PSDB), "é muito bom" para o PT. "Um segundo turno entre o Lula e o Serra dará nitidez às divergências de projetos que nós temos para o País", declarou. "Mas acho também que será uma disputa qualificada e acredito que o Brasil não vai cair em uma nova aventura semelhante à do Collor, colocando a Roseana no segundo turno". </Julio> <!--04:30-->

 "Cena-chave" da história é gravada no Estado
DA REPORTAGEM LOCAL

As cenas gravadas no Maranhão estão entre as principais de toda a história de "O Clone". Nas areias dos Lençóis, aparecerá pela primeira vez o ator Murilo Benício interpretando Leandro, o clone que dá nome à trama. A aparição iria ocorrer anteriormente, mas a Globo decidiu só exibir essa cena na terceira semana de janeiro. A intenção foi esperar a audiência, que costuma cair nas semanas do Natal e do Ano Novo, voltar ao normal. Na história, o cientista Albieri (Juca de Oliveira) -que fez o clone- e sua mulher, Edna (Nívea Maria), vão passar uma semana de férias no Maranhão. Durante o passeio, segundo o ator Juca de Oliveira, os dois farão comentários sobre os pontos turísticos do Estado. Além dos Lençóis Maranhenses, onde Albieri encontra Leandro, o casal visita atrações de São Luís, como a feira de artesanato e o centro histórico. Uma festa do bumba-meu-boi, típica da região, foi especialmente realizada para as gravações da Globo.

Na semana passada, personagens da novela já haviam falado sobre o Maranhão, usando frases como "o Estado é lindo, vocês vão adorar". Segundo a autora Glória Perez, o local foi escolhido porque as areias dos Lençóis "lembram os desertos, os povos antigos, que queriam se perpetuar através das múmias". Seria, segundo ela, uma referência ao fato de a clonagem ser uma idéia muito antiga na civilização. As primeiras cenas da novela foram feitas no Marrocos.

Duas vias
O merchandising na Globo pode ser negociado de duas maneiras. As sinopses e os capítulos são enviados antecipadamente ao departamento de merchandising. Se houver a possibilidade de encaixar algum produto na história, a Globo procura empresas ou instituições. O merchandising também pode ser oferecido à emissora, que sugere ao autor uma adaptação no texto para inseri-lo. </Julio> <!--03:53-->

 Roseana faz merchandising na Globo
CLÁUDIA CROITOR e LAURA MATTOS DA REPORTAGEM LOCAL
Folha de São Paulo - 13 de janeiro de 2002

O governo do Maranhão fechou um acordo de merchandising com a TV Globo. A partir de amanhã, a emissora exibe na novela das oito, "O Clone", cenas de pontos turísticos do Estado, cuja governadora, Roseana Sarney, é pré-candidata do PFL à Presidência da República. Em troca da exibição de imagens dos Lençóis Maranhenses, de São Luís e de outros pontos turísticos, o governo proporcionou à Globo transporte, alimentação, segurança e liberação dos locais para gravação. A Central Globo de Comunicações afirmou que o merchandising foi acertado em contrato. A informação foi negada por Antônio Carlos Gomes Lima, assessor de comunicação do governo, que afirmou não ter havido pagamento em dinheiro nem permuta. Mas assessores ligados a Roseana confirmam o acordo. A idéia principal seria promover o Estado às vésperas da inauguração de uma nova estrada de acesso aos Lençóis. Com a nova via, a viagem de São Luís até o local deve ser encurtada de dez para duas horas e meia.

A escolha do Maranhão como locação foi da autora da história, Glória Perez. Com a sinopse, a Globo ofereceu o merchandising ao governo, que aceitou. Divulgar o Estado, neste momento, em programa com a audiência da novela das oito era "o sonho" da governadora, nas palavras de um assessor próximo a ela. A novela é atualmente o programa de maior audiência da TV e tem alcançado médias de 45 pontos no Ibope (cada ponto equivale a cerca de 45 mil domicílios na Grande São Paulo).

Para gravar as cenas no Estado, foi deslocada do Rio de Janeiro uma equipe de cerca de 20 funcionários da Globo, entre eles os atores Murilo Benício -protagonista da trama-, Juca de Oliveira e Nívea Maria. Eles se hospedaram no Sofitel, um dos hotéis mais caros do Estado, com diárias de R$ 205 para uma pessoa. Na sexta-feira, funcionários da Globo foram recebidos em almoço pela governadora Roseana, no Palácio dos Leões, sede do governo. No Maranhão, quatro afiliadas da TV Globo são controladas pela família Sarney.

"Reality show"
Essa não é a primeira vez que um governo apóia uma produção para divulgar seu Estado. Em 1994, o então governador do Ceará, Ciro Gomes, atual pré-candidato do PPS à Presidência, investiu cerca de US$ 700 mil na novela "Tropicaliente" (Globo). A trama, que era exibida no horário das 18h, se passava no Estado e mostrava atrações turísticas do Ceará, como o complexo aquático Beach Park -que cedeu o terreno onde foi construída a cidade cenográfica. Na época, Ciro afirmou que a novela iria ampliar o turismo no Estado. O investimento foi principalmente em transporte e hospedagem da equipe de gravação.

A Globo também obteve apoio do Ceará para realizar o "reality show" "No Limite" no Estado, em 2000. A terceira versão do programa contou com o apoio do governo do Pará. A Record contou com a colaboração do governo de Pernambuco, em 2000, para a gravação da novela "Vidas Cruzadas", que se passava em Recife. </Julio> <!--03:48-->

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